Brasil não precisa de Ministério do Futebol

Brasil não precisa de

Ministério do Futebol

O que o Brasil precisa é de um Ministério de Esportes que cuide do esporte na escola, do esporte como atividade física, do esporte para todos, e não de dinheiro público jogado num orgão preocupado com futebol como foi aventado recentemente. Isso seria um crime.

Em 2002 ao ser nomeado Ministro de Esportes por FHC tendo Lars Grael como Secretario Nacional, dei essa declaração à imprensa: ”não quero ser Ministro do Futebol”.

Um país há décadas sem políticas de Estado voltado para a prática da atividade física desde os primeiros bancos escolares, que ignora os seus 350 mil profissionais de educação física, que não promove o chamado Esporte para Todos, que não dispõe de Centros de Referência e Excelência Esportiva regionais, que não cria um banco de talentos e que teve nos últimos anos um Ministério de Esportes voltado mais para o futebol não pode se atrever a querer ser uma nação sadia e potência esportiva.

Nessa Copa, acabamos de tomar uma surra inesquecível nos campos. E eis que vejo nosso governo com tantas prioridades de país dar declarações oportunistas querendo propor intervenção na CBF e gerir assuntos do futebol.Só faltava essa.Chega de “país do futebol,”pátria de chuteiras”,Brasil país do Futebol”.

Vamos trabalhar o esporte como questão de estado, com políticas públicas corretas, sepultando esses modelos viciados e arcaicos que só assim ,em seguida ,virão os resultados.

Depois da vergonha da nossa seleção na Copa, não tenho também expectativas de grandes performances em medalhas nossas nos Jogos Olímpicos de 2016. Só espero que a exemplo da Copa possamos ter uma organização que não comprometa nossa imagem no exterior.

Segundo editorial de 2012 do jornal O Estado de S.Paulo foram gastos R$ 331 milhões para financiar a preparação dos atletas brasileiros que foram a Londres. O editorial diz que somados os recursos publicos a conta chega perto de R$2 bilhões.Exageros possíveis à parte,os gastos resultaram em exatas 17 medalhas conquistadas pelos nossos heróis.Ou seja R$19 milhões o custo de cada medalha .Mais importante que essa conta banal, é o fato de que esses recursos se perdem por conta do imediatismo e pela falta de se pensar em longo prazo. Além disso, o foco dos políticos e dirigentes do COB está errado em se pautar apenas por medalhas sem olhar para a questão estrutural do esporte brasileiro.

Com uma população perto de 200 milhões de brasileiros vivemos até aqui só de medalhas conquistadas por heróis esporádicos como Ademar Ferreira da Silva, João do Pulo, Joaquim Cruz, Gustavo Borges, Daiane dos Santos, Robert Scheidt, Cesar Cielo, Magic Paula, Torben e Lars Grael, Arthur Zanetti, Sarah Menezes e as de nosso vôlei por enquanto ainda dourado.

Vôlei, aliás, que é e tem sido exemplo, por conta de um trabalho planejado que se iniciou ainda no final dos anos 70 e que teve na figura extraordinária do grande Luciano do Valle que nos deixou,seu incentivador maior.
Nessa época surgem campanhas inovadoras como o “Adote um Atleta”, “Sport for All’,” Um Ginásio em cada Salão de Festas” e ”Roda Viva do Esporte” das quais participei.

Com o “Adote um Atleta” em 1976 surge em São Paulo o primeiro Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa. De lá despontaram Willian, Montanaro, Amauri, Ivonete, Ricardo Prado, Oscar, Hortência, Magic Paula, Miguel de Oliveira, Chiquinho de Jesus e dezenas de outros.

Luciano do Valle que neste ano infelizmente nos deixou, foi o único jornalista brasileiro que, embora já fosse consagrado como o maior locutor de TV de nosso futebol muito trabalhou e realizou pelo nosso esporte amador. Vôlei,basquete,boxe,atletismo,hóquei sobre patins no Brasil devem muito a ele.

O fato é que nossos governos abandonaram o caminho de se investir em futuras gerações, na prática da atividade física, e na valorização do profissional de educação física.

Não se faz uma nação de atletas campeões com a ausência de políticas de Estado para o esporte que temos hoje no país. Vamos estar sempre nos enganando e vivendo do ufanismo de alguns dirigentes e jornalistas. A Grã-Bretanha saiu de um 36º lugar no quadro de medalhas olímpicas de Atlanta em 1996 para um 3º em Pequim e em Londres. quando conquistou 65 medalhas. Não foi por um acaso, nem por um passe de mágica. O Brasil em Atlanta ficou em 25º lugar com 15 medalhas apenas duas a menos das conquistadas agora. A nossa melhor colocação na história foi em 2004 em Atenas quando. ficamos em 16º lugar. E não posso deixar de assinalar que o esporte que deu mais medalhas e orgulho ao Brasil na história das Olimpíadas foi a Vela que convenhamos não é esporte de massa… Algo está errado. Ou muito errado.

Missão do governo não é dar mais dinheiro às Confederaçōes ou para os eventos, mas fazer com que Esporte seja considerado Política de Estado e que a cultura do esporte amador e da atividade física esteja presente na mente dos brasileiros.

Esporte é agenda estratégica para Presidente da República, Ministros da Educação, Saúde e das Cidades, Governadores, Prefeitos…

Somente o abraço a macro políticas estruturais fará com que o jorrar de dinheiro público no esporte de alto rendimento deixe de ser questionado diante da certeza de que o trabalho vai ser bem sucedido.

Fui Ministro de Esportes e Turismo de 2001 a 2003 tendo a figura ímpar de Lars Grael como Secretário Nacional de Políticas de Esporte. Estávamos no caminho certo: Esporte na Escola; Olimpíadas Escolares; Valorização do Profissional de Educação Física; Massificação do Esporte e da Atividade Física; Esporte para Todos; Esporte Paraolímpico; Centros Regionais de Talentos Esportivos; Banco Nacional de Talentos; Valorização e apoio aos Clubes que investem em formação; Conselho Nacional de Atletas; Intercambio com Treinadores Internacionais de Ponta; Centro Olímpico Nacional de Excelência no Esporte…

Mas como em qualquer governo, infelizmente a transição vem junto com a descontinuidade administrativa. E o futebol, com a escolha da Copa no Brasil, virou agenda quase única do Ministério do Esporte cabendo ao COB cuidar sozinho do esporte no conhecido modelo a ser das Confederações Esportivas. E vieram os Jogos Pan-americanos, as Olimpíadas de Londres e o que podemos esperar de diferente em 2016? Está na hora de se pensar já em 2020. Nosso papel no futebol em 2014 mostra como estamos atrasados.

Estou convencido de que nas estruturas governamentais o Esporte deve estar alocado na área da Educação. Não quero exaltar modelos de uma época de triste lembrança, mas o fato é que quando existia o Departamento de Educação Física e Esportes-DED no antigo Ministério de Educação e Cultura, pensava-se no Esporte para Todos e ,mais do que isso, na boa utilização das ferramentas estratégicas do setor – no caso as escolas e os professores de Educação Física. Um novo modelo eficiente e moderno poderia ser pensado pela presidenta Dilma, como por exemplo, uma Agencia Nacional de Desenvolvimento do Esporte e da Atividade Física. Com profissionais do ramo trabalhando nela com contrato de gestão, compromissos e metas.

Triste para um país do tamanho do Brasil ter um número de poucas medalhas resultante mais dos esforços e dos talentos pessoais de alguns atletas que nos dão alegrias, do que de políticas consistentes de esporte. E a culpa disso repito é das três esferas de Governo que não assumem o setor como questão de Estado, e também em grande parte da mídia que tem a maior parte de seus espaços reservadas ao futebol e muito pouco aos esportes olímpicos. O esporte de alto rendimento merece sim recursos e atenção, mas antes tem todo um caminho a ser estrategicamente trabalhado e é preciso investir na mudança de culturas.

Cito também o Ministério da Saúde que fala que somos um povo que não pratica atividade física e dos males que essa realidade traz no campo também da saúde dos brasileiros.

A conquista de medalhas olímpicas sem dúvida enche de orgulho qualquer nação e seu povo e vira tema da imprensa a cada Olimpiada, onde as análises óbvias se repetem

Mas para um país como o nosso,ainda dopado pelo tema futebol, o primeiro e fundamental passo é abraçarmos a tese de que mais importante que a conquista de uma medalha olímpica é criarmos cenários amplos que possibilitem o direito e despertem o interesse de qualquer criança brasileira praticar atividade física e um esporte.

A medalha olímpica será consequência futura. Foi o que disse Sebastian Coe na cerimônia de encerramento dos Jogos Olimpicos de Londres: ”o grande legado desses jogos é sabermos que toda uma geração de jovens vai abraçar e se interessar pela prática de um esporte olímpico” :

Daí a necessidade de também trabalharmos para formarmos uma geração sadia, que vai gerar filhos sadios. É o primeiro dos passos! Que por miopia e visão só de curto prazo, deixamos de lado.

Nada contra a paixão pelo futebol que também me seduz e me leva aos estádios para torcer,sofrer e sorrir pelo meu tricolor,Mas não é assunto de estado ou de governo por mais incompetência que encontremos no setor.

Governo tem que cuidar de outras prioridades num país ainda com tantas carências como o nosso.Uma delas é o esporte onde futebol não tem espaço.

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Bandeiras a desfraldar

Li muito,com razão e sem paixão ,muito do que se escreveu sobre a nossa derrota vergonhosa para a Alemanha.A derrota foi tão marcante que o choro de muitos se transformou em aplausos justos aos adversários.

Faz parte e vamos em frente.Muitos desses jovens poderão em 2018 nos dar alegrias.

O que não engulo mais,é essa histeria irresponsável de “Brasil país do futebol “,”pátria de chuteiras”…num país que precisa de bandeiras maiores e de geraçoes menos dopadas com esses temas.

Lembro-me dos “90 milhoes em ação “e de Médici com radinho de pilha no ouvido e a mídia reverberando para a pátria distraída.

Mudaram as ferramentas e a tecnologia ,mas essa questionável euforia pré fabricada vem nos cegando de há muito.Nada contra alegria ,mas contra os exageros que pouco contróem para a formação de um povo.

O resultado é que ficamos para trás.Temos grandes escolas e grandes talentos hoje em todo o mundo.

A copa em si ,os jogos,as torcidas,o compartilhamento com o mundo foram positivos.

Ótimo.

Mas nosso time era fraco e deu no que deu.

Justo exaltar a grandeza ética e as declarações respeitosas dos jogadores alemães para conosco. Relembrar a forma alegre e sem frescuras com que se divertiram e ajudaram comunidades da Bahia onde ficaram.Aplaudir a elegancia do time alemão na vitória.

Se estivessemos ganhando de 7 a 0 chapéu,caneta,firulas…palhaçadas a tripudiar.

Deram uma lição a todos nós.

Temos muito a aprender e está mais do que na hora deixar de lado essa historia de país do futebol.Claro sem deixarmos de nos divertir,torcer e gritar por nossos times do coração.Mas temos bandeiras muito mais urgentes a desfraldar em nome de um país melhor para nossos filhos.

Enviada do meu iPhone

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Enfim uma matéria séria e correta sobre a sacanagem feita com o Estádio do Morumbi

Finalmente uma matéria de Paulo Favero e Almir Leite no Estadão de hoje restabelece a verdade dos fatos sobre a sacanagem que Fifa,Ricardo,Jerome e …fizeram com o Morumbi na Copa. Nada contra o Corinthians ter seu estádio. Mais do que justo. Não sendo no Morumbi só poderia mesmo ser num estádio particular.Enquanto estive no processo combati com tudo,inclusive em editoriais ,o uso de dinheiro público .O Morumbi era o óbvio ainda que optássemos ,como cheguei a sugerir,por não termos a abertura aqui e apenas jogos e semifinais.A conta aí mostrava que fechava e o dinheiro do contribuinte seria poupado.Mas interesses ocultos que captava mostravam claramente que queriam o contrario .Obras e obras…No dia seguinte aos seis jogos por cidade sede,dívidas para os que cairam no conto da Fifa  e boas risadas dela e dos que lucraram. Como teria que ser num estádio com mais de 60 mil ( exigencia para abrir a Copa) não poderia ser no Estádio do Palmeiras corretamente bem projetado para cerca de 45 mil. O que jamais poderia acontecer seria construir um outro estádio publico ( com Pacaembu de vez micado) a ser construido em Pirituba como chegou a ser trabalhado.Meno male a aventura do  Itaquerão,apoiado pelo Governo Federal,Estado e Prefeitura  para agradar FIFA e CBF depois que Serra sai do governo estadual. O fato é que a forma como o Morumbi foi descartado,independentemente da briga Juvenal x Ricardo Teixeira,deixa claro que os interesses excusos e os bastidores disso, são de fazer corar e enojar quem abraça o ético e o moral! Mas isso é passado… num país que tem muita gente se divorciando desses valores ultimamente.

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Isso aqui ô,ô…

Petrobrás,Petrus,Lavogen,Bndes,IPEA,IBGE,aeroportos,portos,PAC empacado,rodovia transnordestina,transposição do Rio São Francisco,apagões,drogas,armas,22.000 partidarios em cargos comissionados,blogueiros eficientes e bem pagos para defender o indefensável… Exemplos de gestão competente nunca dantes visto nesse país! Pobre Brasil!

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Bom texto de Lucas Foster em O Blog

O BLOG

Criatividade transformadora

Lucas Foster23/04/14 14:58 BRT

Neste início de século 21, a criatividade tornou-se matéria-prima fundamental para a transformação da realidade econômica e social de diversos países. O novo papel estratégico da criatividade trará implicações profundas para o desenvolvimento sustentável em um ambiente cada vez mais instável do ponto de vista político e ambiental.

Para os países desenvolvidos, o potencial criativo já é uma vantagem para melhorar a competitividade de setores tradicionais da economia, gerando inovação e ampliando os fluxos de exportações comerciais. Em termos gerais, a quantidade e a qualidade do “capital humano” de um país definirá os parâmetros para o sucesso no século 21. E a criatividade é reconhecida, cada vez mais, como um ativo estratégico dentro deste cenário.

Em uma economia global com rápidas transformações, enquanto a criatividade atinge um novo status de relevância no processo de produção de bens e serviços, alguns setores da economia utilizam a criatividade de forma intensiva e com um grau particularmente elevado de especificidade profissional. Esse conjunto de setores é chamado de Economia Criativa.

A Economia Criativa é, segundo o Ministério da Cultura, o conjunto de setores cujo ciclo de criação, produção, distribuição e consumo de bens ou serviços têm como processo principal uma atividade criativa capaz de gerar a dimensão simbólica determinante para seu valor, resultando em geração de riqueza cultural, econômica e social.

De acordo com o Banco Mundial, estima-se que os setores da Economia Criativa são responsáveis por mais de 7% do produto interno bruto mundial e deverão crescer em média 10% ao ano. Alguns desses setores já lideram a economia de alguns países da OCDE, com taxas de crescimento entre 5% e 20%. No Reino Unido, por exemplo, os setores da Economia Criativa já representam receitas em torno de US$ 190 bilhões e mais de 1,32 milhão de empregos, de acordo com o governo britânico.

Diversos outros países desenvolvidos como Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Suécia, também têm sido bem sucedidos em explorar sua posição nestes setores e estão cada vez mais interessados em utilizá-los como porta de entrada para uma nova economia baseada na informação, na inovação e na sustentabilidade.

A Economia Criativa já contribui para a expansão da geração de emprego em alguns países desenvolvidos, mas o seu maior potencial de transformação está nos países em desenvolvimento. Há uma necessidade urgente, portanto, de modernizar os setores e fortalecer as capacidades locais, a fim de aumentar sua contribuição para a a geração de renda e, consequentemente, para a redução das desigualdades.

De acordo com os estudos realizados pela UNCTAD e mais recentemente pela UNESCO, o potencial dos setores da Economia Criativa nos países em desenvolvimento é enorme. A criatividade está profundamente enraizada no contexto cultural de cada país. Afinal, é evidente a excelência em expressão artística e abundância de talento criativo nos mais diversos países.

Com dedicação eficaz, essas fontes de criatividade podem abrir novas oportunidades para os países em desenvolvimento e aumentar suas participações no comércio mundial em novas área de criação como o design, a moda ou a produção de conteúdo audiovisual.

Esse países terão o desafio de criar políticas para a valorização da Economia Criativa, reconhecendo a importância de seus ativos intangíveis, processos de licenciamento, princípios empresariais e de gestão, formas de regulação e significativa dedicação à propriedade intelectual. Isso exigirá um tipo estratégico de pensamento sobre as políticas públicas, em nível nacional e internacional, associado muitas vezes, inclusive, com as políticas industriais mais tradicionais.

Recentemente, o Brasil reconheceu o valor da Economia Criativa para o desenvolvimento econômico sustentável e criou, a partir da Secretaria de Economia Criativa, no âmbito do Ministério da Cultura, o Plano de Políticas, Diretrizes e Ações para o desenvolvimento da Economia Criativa com o intuito de garantir à criatividade brasileira o seu merecido valor e todo o seu potencial transformador.

E você, já está preparado para usar sua criatividade a favor da transformação e impactar positivamente a sociedade?

Enviada do meu iPad

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Legado,palavra ao vento.

Faltando 3 meses para Copa, nem metade do ‘legado’ foi entregue ao País
UOL Copa do Mundo 2014 – 11/03/2014 -
http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/03/11/faltando-3-meses-para-copa-nem-metade-do-legado-foi-entregue-diz-tcu.htm

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Excelente artigo de Andre Lara Resende no Estadão.Moderno e atual.Crescer com qualidade de Vida!

‘É preciso crescer com qualidade de vida’, diz Lara Resende

Para o economista, modelo de desenvolvimento baseado apenas em expansão de PIB e consumo material não se sustenta

08 de março de 2014 | 17h 37

  • PrintAlexa Salomão e Ricardo Grinbaum, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO – Na seara econômica, André Lara Resende é uma referência, entre outras razões, por ter participado da elaboração do Plano Real. Ainda assim, afastou-se do trabalho cotidiano de um economista. O neto do professor de gramática e memorialista Antônio Lara Resende e filho do jornalista e escritor Otto Lara Resende voltou-se às letras e à reflexão. Em seus artigos, defende um novo modelo de desenvolvimento, orientado ao bem-estar coletivo e sustentado pelo setor de serviços em áreas como educação e saúde.

“A partir de certo nível de renda, onde com certeza já nos encontramos, a qualidade de vida não está mais necessariamente associada ao consumo material”, diz ele na entrevista que segue. Suas convicções o aproximaram da pré-candidata à Presidência Marina Silva, em sua avaliação a pessoa que na atual cena política tem a visão de mundo para implantar o novo modelo de crescimento. A íntegra da entrevista está disponível na internet, no link indicado ao pé desta página.

O governo de FHC ficou conhecido como o da estabilidade, o do Lula, pela distribuição de renda. Qual seria a cara do governo Dilma e qual deveria ser em caso de reeleição?

André Lara Resende: Nem todo governo deixa necessariamente a sua marca. O governo Dilma não está à altura dos dois governos anteriores que, por mais diferente que tenham sido, tinham carisma e personalidade definida. O governo Dilma tinha a pretensão da eficiência executiva para dar um novo salto desenvolvimentista. Fracassou porque tem uma visão anacrônica, tanto dos objetivos, como dos métodos para alcançá-los. Acredita que o desenvolvimento ainda dependa da industrialização, voltada para o mercado interno e liderada pela ação do Estado, como na metade do século passado. Acredita também na gestão de comando e controle. Mas no mundo contemporâneo, o desenvolvimento é necessariamente via integração internacional, e a gestão de empreitadas, a cada dia mais complexa, só é possível através da delegação, inserida numa cultura baseada no exemplo e no carisma.

Muitos estudiosos dizem que o Brasil vive um processo de desindustrialização. Como o senhor vê a questão e o que deve ser feito em relação à produção industrial?

André Lara Resende: O processo de desenvolvimento econômico passa primeiro por uma fase de industrialização e urbanização, com uma correspondente redução do peso do setor primário na economia. Numa segunda fase, já com a industrialização consolidada e uma economia mais sofisticada, cresce o peso do serviços. A indústria pesada, de velha tecnologia, desloca-se para onde ainda há mão de obra barata no mundo. Para seguir crescendo, o país precisa renovar sua indústria, ser capaz de absorver e de produzir tecnologia de ponta. Não há como dar esse salto sem a combinação de um sistema educacional de alto nível e a integração comercial com o resto do mundo. Passa-se do protecionismo à indústria nascente, voltada para o mercado interno, ao estímulo à indústria de ponta, voltada para a exportação. É o que deveríamos fazer: integrar o país à economia mundial, absorver tecnologia de ponta, aumentar a produtividade e as exportações industrializadas, e simultaneamente, repensar a educação de base com objetivos de longo prazo.

Há economistas que dizem que o Brasil está preso numa armadilha de baixo crescimento. O senhor concorda com esse ponto de vista?

André Lara Resende: O país tem crescido bem menos do que se espera, é verdade. Alguns analistas chamaram de a Armadilha da Renda Média, o fato de que, depois de atingir um estágio intermediário de renda e desenvolvimento, muitos países parecem ter dificuldades de deslanchar e finalmente encostar nos países do primeiro mundo. Para sair da pobreza absoluta, crescer e atingir um mínimo de desenvolvimento, basta ser capaz de criar um excedente para ser investido. Pode não ser fácil para sociedades onde a renda e o consumo são extremamente baixos, mas a fórmula é conhecida: poupar e investir, aproveitando a tecnologia de domínio público, não necessariamente de ponta, desenvolvida nos países mais avançados, e incorporando a população marginalizada à força de trabalho. A partir de um certo ponto – e o Brasil já atingiu esse estágio – a questão se torna mais complicada. Já não basta poupar e investir em capital fixo. Não há mais um excedente de mão de obra barata para ser incorporado ao setor dinâmico da economia. É preciso, então, aumentar o que os economistas chamam de produtividade – a capacidade de produzir mais com menos, de forma mais eficiente, e ganhar competitividade internacional. A absorção de tecnologia já não é tão automática, pois estamos mais perto da fronteira tecnológica. É preciso que a mão de obra, em todos os níveis, do mais elementar ao mais sofisticado, inclusive a da gestão das empresas e dos investimentos, esteja à altura. A chave é a educação. Falar em educação se tornou um clichê, mas como todo clichê é uma verdade que, de tanto repetida sem convicção, perdeu a força. Há uma revolução em curso nos métodos de educação, com a universalização da informática e da internet, mas estamos na contramão. Em lugar de inovar, de fazer uma educação de base de qualidade, optamos por aumentar o número de pessoas com diploma de curso universitários comercializados, onde nada se aprende. Mais um exemplo da nossa insistência em dar mais importância à forma do que à substancia.

O Brasil deve ter um novo modelo de desenvolvimento? O que este modelo deve contemplar?

André Lara Resende: Acho que não apenas o Brasil, mas o mundo todo precisa rever seu modelo de crescimento. Já não faz mais sentido associar desenvolvimento exclusivamente ao crescimento e ao aumento do consumo material. A partir de certo nível de renda, onde com certeza já nos encontramos, a qualidade de vida não está mais necessariamente associada ao consumo material. O problema da grande desigualdade persiste, é claro, e é urgente ter uma resposta efetiva, mas se o crescimento material não o resolveu, até hoje, em parte alguma do mundo, é porque por si só não vai resolve-lo. Veja o exemplo do automóvel: a notícia de que as vendas de carro caíram sob o prisma do velho crescimento é negativa, mas para quem vive nos grandes centros urbanos, onde usar o automóvel está se tornando impossível, parece-me positiva. Anos atrás, menos produção de automóveis seria inequivocamente negativo. Hoje é, no mínimo, questionável. Temos dificuldade em rever velhos conceitos, mas quando as circunstâncias mudam, é preciso reavaliá-los. Tenho a impressão que o mundo está numa fase de transição. O velho modelo de crescimento consumista já não faz mais sentido, mas a alternativa ainda não está bem delineada. Posso estar sendo vítima da ilusão ufanista, mas tenho a impressão de que o Brasil, tanto pelo estágio de desenvolvimento em que se encontra, quanto pela alegria coletiva criativa, poderia estar muito bem posicionado para sair à frente do novo desenvolvimento. Um desenvolvimento mais baseado na educação, na saúde, no entretenimento, no esporte e na cultura, do que no consumo material. Por isso mesmo, se a melhora de vida vier a se frustrar, ainda que ou sobretudo porque, o consumo material continua a aumentar, podemos passar por ondas de protestos difusos e de revoltas que podem vir a se tornar incontroláveis.

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O senhor defende um modelo baseado em menos consumo, mas como se compatibiliza isso com o desejo das pessoas de consumir e com a necessidade de reduzir a desigualdade? O senhor mesmo coloca que os protesto revelam uma ansiedade das pessoas em melhorar de vida …

André Lara Resende: Minha interpretação é diferente. Os protestos indicam que há busca por melhor qualidade de vida. À medida que a pobreza absoluta é superada, passa-se a desejar mais qualidade de vida, que não encontrada, leva à uma grande frustração. Apesar de se ter mais renda e poder consumir mais, a vida continua extremamente difícil, um verdadeiro inferno. O hospital público é um desastre, a escola pública não tem qualidade, faltam creches, não há segurança, o transporte público é de péssima qualidade. Apesar de ter renda para comprar um carro, leva-se até quatro horas para chegar ao trabalho, engarrafado no transito. Estas são as questões por trás dos protestos – e não necessariamente a demanda por mais consumo material. Essa frustração não é um problema exclusivamente brasileiro. Há no mundo uma vaga percepção de que a melhora da qualidade de vida não está mais necessariamente vinculada ao aumento do consumo material. Ao contrário, o aumento do consumo material – como no caso do automóvel nos grandes centros urbanos – tornou-se um detrator da qualidade de vida. Durante muitas décadas houve uma alta correlação entre o crescimento do produto e da renda e o bem estar. Se o PIB crescia, embora a melhora fosse mal distribuída, todos melhoravam. Essa correlação já não é verdadeira, mas há uma grande resistência a rever conceitos arraigados. Ao criticar o aumento do consumo material, somos acusados de pretender negar o acesso dos mais pobres ao consumo. O argumento não procede – apesar do crescimento extraordinário do consumo material, a pobreza persiste e a desigualdade até se agravou nas últimas décadas, tanto nas economias emergentes quanto nos países avançados. A solução não é mais consumo. Estudos mostram que menos desigualdade, uma sociedade mais homogênea, é elemento fundamental para a qualidade de vida. Para os mais pobres, é evidente, mas também para os mais ricos a desigualdade é negativa. Viver numa sociedade, homogênea e equânime, onde há empatia com seus concidadãos, é melhor para todos.

As manifestações, então, mostram que as pessoas já percebem a diferença entre ter mais e viver melhor?

André Lara Resende: Me parece que sim, mas como a alternativa não está bem delineada, fica difícil afirmar. Acredito que nem mesmo os manifestantes saibam claramente o que desejam. Por isso os protestos são desfocados. Deseja-se mais qualidade de vida, mas o que é qualidade de vida? É sobretudo tempo com os amigos, tempo com a família, tranquilidade, ausência de estresse, inserção numa comunidade com a qual se tem empatia. Por isso a melhora do transporte público é a primeira medida para a melhora da qualidade de vida. Reduzir o tempo de deslocamento e o estresse do trânsito, aumentar o tempo com a família e os amigos, significa um ganho inequívoco de qualidade de vida. O automóvel ainda está no imaginário coletivo como símbolo de sucesso, mas é ilusório. O uso do automóvel exige gastos públicos expressivos na infraestrutura urbana. É um subsídio ao uso do transporte individual, recursos públicos que poderiam ter melhor uso. Para abrir avenidas, viadutos e elevados as cidades foram desfiguradas. Ficou quase impossível se deslocar por qualquer outro meio que não o automóvel. Não é fácil mudar o modelo. Veja a resistência aos corredores de ônibus implantados pelo Haddad. Acho que ele está certo, mas a iniciativa provocou indignação. Como a alternativa não está claramente delineada, é importante dar exemplos concretos do que seria a cidade do futuro, depois do automóvel. A High Line de NY é um desses exemplos. Todas as cidades bem sucedidas do mundo são as que têm bons transportes públicos e estão criando alternativas para que se ande a pé, estímulos ao convívio. É o caso de Barcelona, Paris e NY.

Quais outras políticas públicas devem ser adotadas para mudar o modelo de desenvolvimento?

André Lara Resende: Não tenho a pretensão de fazer uma agenda detalhada, mas antes de tudo é preciso rever o conceito de desenvolvimento. O que se busca? Apenas vender mais, não importa o que? Vamos garantir que todos possam ter mais coisas inúteis, sem descriminar ninguém, ou vamos procurar o bem estar? A busca do bem estar exige revisão das políticas públicas. Rever os objetivos não significa que a renda deva parar de crescer, mas que haveria um mudança na composição do produto, um aumento do peso dos serviços – mais entretenimento, mais esporte, mais educação, mais saúde, mais musica. A demanda por serviços de saúde é infinita. São essas industrias que irão liderar o crescimento do futuro e não as indústrias baseadas no consumo material.

O senhor acha que o governo precisa ter metas a partir de 2015 para o superávit, para a dívida e para o gasto público?

André Lara Resende: Metas são importantes para o balizamento, tanto do governo, como do setor privado, mas mais importante do que ter metas quantitativas anunciadas, é o compromisso com elas. Creio que é pior ter metas, sem acreditar nelas, do que não tê-las. As três metas a que você se refere dizem respeito ao custo do Estado. O Estado no Brasil tem uma longa história de patrimonialismo, de confundir o seu interesse com o da sociedade. Só em alguns períodos excepcionais houve tentativas de adotar reformas modernizadoras. A tendência secular é de um crescimento burocrático patrimonialista. Tendência que foi claramente acentuada na última década. O Estado no Brasil de hoje é um criador de dificuldades de toda ordem, tanto para os indivíduos como para as empresas, um detrator da qualidade de vida e da produtividade. Toda crítica ao Estado tende a ser identificada com um liberalismo econômico radical e equivocado, segundo o qual o mercado tudo resolve, e assim é desqualificada. É um falso dilema. O Estado – assim como o mercado – é fundamental nas sociedades contemporâneas, mas é preciso ter um Estado inteligentemente organizado, eficiente, a serviço da sociedade, e não a serviço de seus próprios interesses, contra a população.

Qual deve ser a postura em relação ao câmbio?

André Lara Resende: No mundo contemporâneo, no que se pode chamar de período pós Bretton-Woods, consolidado nas últimas décadas, as taxas de câmbio são flutuantes. Não completamente livres, mas uma flutuação administrada, para evitar a alta volatilidade de curto prazo, que é perturbadora da atividade econômica. A taxa de câmbio não é, portanto, uma variável de controle direto das autoridades monetárias, mas consequência da política econômica como um todo. A valorização do câmbio, nos últimos anos, percebida como excessiva, é decorrência da combinação perversa da baixa produtividade da economia, da poupança interna insuficiente – ou seja, alto consumo público e privado – com uma política monetária obrigatoriamente apertada para manter a inflação sob controle. É preciso rever toda a política econômica para que o câmbio encontre um equilíbrio menos punitivo para a produção nacional. Ao contrário do que pode parecer, não é possível corrigir problemas da política econômica com a manipulação do câmbio – é preciso corrigir o câmbio com a revisão da política econômica.

Há um represamento na inflação de preços administrados? Como deve ser feito um eventual ajuste para adequar esses preços à realidade de mercado?

André Lara Resende: Há efetivamente um represamento, como fica claro ao comparar a variação do índice de preços livres com a do índice de preços administrados. Em particular, o preço do petróleo e de seus derivados tem sido corrigido muito abaixo do necessário para manter a paridade com os preços externos corrigidos pela taxa de câmbio. Todo o processo, cujo objetivo é tentar manter a inflação dentro das metas, sem sobrecarregar a política monetária e subir demais os juros, apesar do excesso de gastos do governo, tem alto custo. Entre outros, o absurdo de subsidiar o consumo de combustíveis fósseis, derivados do petróleo. Acredito que o ajuste deva ser feito o mais rápido possível, desde que todas as demais incongruências da política econômica, sobretudo o gasto público excessivo, sejam corrigidos e percebidos como uma decisão de longo prazo. Assim, o impacto inflacionário da correção teria fôlego curto, dada percepção da correção de rota da política macro. Mais uma vez, é a distorção da política macro, sobretudo da política fiscal, que pressiona a inflação. Corrija-se a fonte do problema e as distorções periféricas se corrigem naturalmente, ou podem ser revistas sem grandes perturbações.

Há um certo mau humor dos investidores internacionais com o Brasil. O que o senhor acredita que está havendo?

André Lara Resende: Durante alguns anos, houve uma lua de mel dos analistas e dos investidores internacionais com o Brasil. É compreensível. Nos governos Fernando Henrique Cardoso, a inflação crônica foi vencida e as contas públicas, nas suas várias instâncias, equilibradas. Eleito, Lula manteve inicialmente o curso da política macroeconômica e soube dar a um programa criado por Ruth Cardoso a dimensão merecida, o que incorporou um enorme contingente da população à classe média. O país fez efetivamente progresso, parecia estar pronto para o salto definitivo para o primeiro mundo. Com sua conhecida e tradicional obsessão por simplificar e caricaturar, analistas e investidores desconsideraram a vasta gama de gravíssimos problemas que ainda temos, fecharam os olhos ao primeiros sinais de que a política macroeconômica, sob a desculpa de minorar o impacto da grande crise financeira internacional de 2008, havia tomado outro rumo. Desde 2008, a política econômica brasileira é uma versão anacrônica e incompetente do velho desenvolvimentismo dos anos cinquenta do século passado, que teve seu período áureo durante o regime militar, até meados dos anos 70. De uns dois anos para cá, uma vez percebido o corporativismo estatista da política econômica, a incompetência para modernizar a infraestrutura e aumentar a produtividade da economia, os investidores, mais uma vez bem ao seu estilo volúvel e emotivo, passaram de um extremo ao outro. O Brasil agora lhes parece à beira do colapso econômico. Não acho que seja o caso. Ao menos ainda não.

O Senhor apoia algum candidato?

André Lara Resende: Acredito que a alternância no poder é elemento fundamental da democracia. Uma década parece-me suficiente para que um governo diga a que veio. Mesmo quando o governo é bom, é preciso alternar. Muito tempo no poder desvirtua, leva à perda de foco, a confundir os interesses dos governantes e do partido com os interesses do país e da população. É importante ter novos ângulos, novos pontos de vista, sobre os problemas e os desafios do país. A alternância entre o PSDB e o PT, nas últimas décadas, foi positiva. O PT mostrou sua cara, suas qualidades e seus vícios, desmistificou-se. Foi importante. Acho que agora é hora de mudar. Tenho certeza de que Aécio Neves faria um excelente governo, como já demonstrou no governo de Minas. Na economia está muitíssimo bem assessorado e saberia como reverter o quadro delicado, decorrente dos erros da política econômica nos últimos anos. Não será fácil, sobretudo por conta do aparelhamento do Estado, promovido pelo governo nos últimos anos. Em nome da alternância e da mudança de ângulo, gostaria de ver um governo de Eduardo Campos e Marina Silva. Não apenas me identifico com uma nova visão do desenvolvimento, que dá mais importância à qualidade de vida do que exclusivamente ao crescimento material, como acho saudável que o pais transcenda um sistema bipolar, PT e PSDB, que tende à radicalização.

O senhor pode falar um pouco sobre a sua relação com a Marina Silva?

André Lara Resende: Eu tive fiz alguns contatos com a Marina na eleição passada e conheço pessoas que conversam com ela. Converso muito com o Eduardo Giannetti. Recentemente, estive uma vez com a Marina e com o Eduardo Campos em um encontro da Rede. Eu não o conhecia, nem conhecia o pessoal dele. Fiquei bem impressionado. Mas não participo de campanha e não tenho nenhum engajamento.

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